Quem acompanha o noticiário sabe que, há tempos, o STF decidiu procurar as luzes, subir no palco e apresentar espetáculos aplaudidos apenas por aqueles que ocupam sua mesma bolha ideológica. Por isto mesmo é que suas ações têm preferencia por um dos lados do espectro político. A saber, o da esquerda, ou melhor, o lado que concorda com suas decisões. Tanto é verdade, que a invasão e atos de violência do Congresso, pelos militantes do MST, em junho de 2006, não resultaram em nenhuma punição legal para absolutamente ninguém. Agora, os que participaram das arruaças do fatídico 8 janeiro, em que não houve um único ferido, estão sendo punidos pelo STF com penas que só são aplicadas nas piores ditaduras – e num processo integralmente ilegal. O que assistimos são piruetas jurídicas dos ministros, para socar condenações ilegítimas. Não conseguem nos convencer de que essa baderna foi “mais grave” que as outras e insistem, em vão, na conversa da tentativa de “golpe de Estado” e de “abolição violenta do estado de direito”.
Abolição violenta, com crianças, mães de família e idosos, todos desarmados, com mostraram as imagens vazadas pela CNN, exceto as que foram apagadas pelo ministro Flavio Dino, claro. A coisa ainda vai piorar muito mais. É que o STF está estudando uma regra que pode excluir do julgamento do 8 de janeiro, os ministros Nunes Marques e André Mendonça, que andaram divergindo dos outros ministros, aplicando penas menores, absolvendo-os de alguns crimes e optando pelo regime aberto. Se vingar essa artimanha os réus serão julgados pela Primeira Turma do STF, onde estão Alexandre Moraes, Luiz Fux, Cristiano Zanin e Carmem Lúcia, todos com votos no sentido de condenar os presos. A sociedade ainda busca compreender, por que um processo ilegítimo junta mais essa artimanha para punições tão severas. Não há legalidade nem direito. Faltam compreensão e compaixão. O que sobra é muita crueldade.
Vicente Lino.