O Encontro de Produtores Brasileiros de Leite na Câmara dos Deputados, no mês passado, em Brasília, mostrou as dificuldades sofridas pelo setor, frente à concorrência desleal da Argentina e do Uruguai. Os produtores sentem os efeitos e, com a inação do governo abandonam a atividade. Em 2010, o Brasil tinha 1,35 milhão produtores de leite, sete anos depois eram 1,17 e hoje são 1,1 milhões de produtores de leite no país. A indústria do leite é responsável por empregar, direta ou indiretamente, 4 milhões de pessoas. Apesar disto, as importações triplicaram de janeiro a maio de 2023. A alta foi de 212%, se comparadas aos cinco primeiros meses de 2022. Só neste ano, o país importou mais de 850 milhões de litros de leite. Uma concorrência cada vez mais desleal de dois países do Mercosul – Argentina e Uruguai que entram com o leite em leite em pó reidratado e gera competição desleal, já que a reidratação é proibida no Brasil.
O Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Pedro Lupion, de onde extraio esses dados, informa que, finalmente o governo acionou as embaixadas nos dois países, e o Ministério da Agricultura e Pecuária aprovou aumento do imposto de importação do leite em 18% e uma alíquota máxima para os produtos derivados como iogurte, manteiga, queijo ralado e doce de leite. Segundo ele, somente o tempo dirá se as medidas adotadas surtirão o resultado esperado ou se a Frente Parlamentar voltará a interceder em defesa dos produtores. Lupion afirma que é necessário combater a importação desleal, dumping, reidratação de leite, entre outras ilegalidades em defesa do leite brasileiro. O produtor merece cuidado e respeito de forma a garantir dignidade e bons preços em um mercado tão importante para a economia brasileira.
Vicente Lino.