Um grupo formado por 25 ex-chefes de Estado e de governo espanhóis e latino-americanos divulgou uma nota ontem que, ao mesmo tempo em que defende liberdades mostra desconhecer o que ocorre por aqui. O documento do grupo denominado; Iniciativa Democrática da Espanha e das Américas manifestou preocupação com os ataques à liberdade de expressão e imprensa na América Latina, e não se sabe por que o Brasil não foi citado. A declaração foi assinada pelo ex-ministro do Interior da Venezuela, Asdrúbal Aguiar e pelos ex-chefes de Estado, entre eles, José María Aznar (Espanha), Felipe Calderón (México), Iván Duque (Colômbia), Mauricio Macri (Argentina) e Lenín Moreno (Equador). Foram enumerados, os casos que comprovam falta de liberdade de expressão por aí afora. Na Venezuela, o fechamento da Rádio Caracas, que estava no ar há 93 anos. Na Bolivia, o fechamento do jornal Página Siete, e o enfraquecimento da liberdade e expressão em El Salvador. A Guatemala foi citada, por silenciar e restringir o exercício do jornalismo, por meio do assassinato ou criminalização de jornalistas, como no caso do El Períódico.
Vale elogiar a iniciativa num momento em que o verdadeiro jornalismo sofre ataques de todo lado e por aqui não é diferente. O documento, ainda cita os presidentes do México, Andrés Manuel López Obrador, e da Costa Rica, Rodrigo Chaves Robles acusado manipular questões tributárias para silenciar veículos de comunicação críticos ao governo. Pena, mas o grupo não falou sobre o exilio do jornalista Allan dos Santos, da prisão do jornalista Oswaldo Eustáquio, das ações de censura à Revista Oeste, ao site o Antagonista. Ficou também esquecida, a tentativa de calar a Jovem Pan, além das excrescências do Projeto da Censura, relatado pelo deputado comunista, Orlando Silva, com o qual o governo insiste em calar o país inteiro.
Vicente Lino.