Como se sabe, nas prisões do fatídico 8 de janeiro, não há casos especiais porque todo brasileiro preso ali, foi vítima de injustiça e desrespeito. Ninguém teve seu direito assegurado nem teve respeitado o seu devido processo legal. Milhares de brasileiros enganados por autoridades que fingiam protege-las foram retirados das portas dos quarteis e, depois transferidas para presídios, na capital dos palácios. Reportagem da Revista Oeste chama atenção para um brasileiro, ainda hoje desrespeitado e preso. José Acácio Serere, cacique da tribo Xavante, continua preso por supostamente liderar, o que o ministro Alexandre Moraes chama insistentemente de “atos antidemocráticos”. A coisa é tão absurda que a prisão temporária, que deveria durar dez dias, completou seis meses nesta semana — e não tem data para terminar. Moraes agiu de oficio e renovou a prisão do cacique Sererê sem consultar o Ministério Público Federal ou outras autoridades.
O indígena apresenta comorbidades e, mesmo assim, divide uma cela apertada com outros dez detentos, compartilha a toalete, não tem banhos quentes e, às vezes, dorme sentado para revezar os colchões escassos. Sua família mora em Campinápolis, no Mato Grosso e, a cada 15 dias, sua mulher Sueli e os filhos percorrem cerca de mil quilômetros, de carro, para visita-lo na prisão. Sueli teme pela vida do marido. Há meses, os médicos Nicole Hasegawa e José Glória, assinaram, um laudo constatando que o indígena está fora dos padrões de cuidados de sua saúde, podendo evoluir para doenças até agora inexistentes, que poderão ser questionadas futuramente, como resultado de falta de cuidados imprescindíveis à sua raça e meio ambiente. Não surpreende o fato de que nenhuma associação que diz representar os “povos originários” nem o Ministério dos Povos Indígenas, chefiado por Sônia Guajajara, prestou solidariedade ou qualquer ajuda. O cacique Sererê foi abandonado por aqueles que ignoram as leis e apoiam a injustiça.
Vicente Lino.