A semana começou, com a noticia de que o ministro Nunes Marques divergiu do ministro Alexandre de Moraes, no julgamento de outros 70 presos, por conta dos atos de 8 de janeiro. É muito pouco. Num país verdadeiramente democrático todo mundo deveria divergir do ministro, neste e em vários outros casos onde prevaleceu a parcialidade, o desrespeito à igualdade entre poderes e o pouco caso com o devido processo legal. Restou a tirania. Neste julgamento, o ministro Nunes Marques votou contra alegando que os 64 denunciados estavam no Quartel-General do Exército “e lá permaneceram, não havendo elementos a apontar que tivessem participado dos atos de vandalismo ocorridos na Praça dos Três Poderes”.
Corretíssimo! Ocorre que, também, não a elementos a apontar que outras 1.400 pessoas estavam participando das invasões. Mesmo porque, Moraes deu de ombros para a individualização das condutas exigida por lei e decidiu colocar todo mundo no mesmo balaio. Nunes Marques alegou, também, que devem ficar no STF apenas os processos referentes a pessoas com foro por prerrogativa de voto, enviando todos os outros à Justiça Federal. O Poder judiciário não liga para esses pequenos detalhes, tanto que, o STF já tornou réus 1.176 denunciados pela PGR por maioria dos votos dos ministros.
Ainda não foram incomodados, o ministro do GSI, Gonçalves Dias, que passeava pelo palácio, junto aos supostos invasores e, muito menos, o ministro Flavio Dino, que a tudo assistia, da janela de seu gabinete. Vale lembrar, que a ABIN-Agencia Brasileira de Inteligência, encaminhou documentos apontando que os dois foram alertados e, também, outros 13 órgãos receberam os comunicados. Ninguém fez nada e mais de 1.200 pessoas foram presas ilegalmente. Não se cansam de afirmar que isso tudo é em defesa da democracia.
Vicente Lino.