Começa a se distanciar de um terrível pesadelo quem foi preso, por conta das ocorrências de 8 de janeiro. Moraes e seus seguidores afirmam que, as pessoas foram presas, porque houve uma tentativa de golpe de Estado, financiada por empresários inimigos do Estado Democrático de Direito. O jurista Ives Gandra Martins rebate, afirmando que é um exagero chamá-los de golpistas, em face da impossibilidade material de derrubarem um governo sem armas. Se não tinham conseguido convencer os militares com suas manifestações em frente aos quartéis durante o governo de Jair Bolsonaro com muito mais razão não conseguiriam já em pleno governo Lula, claro.
Recentemente foram soltas mais 52 pessoas, que, de acordo com o ministro, não participaram das depredações, não incitaram e nem financiaram o que ele insiste em chamar de Golpe de Estado. Não se sabe, então, porque foram presas. A reação contra essa procissão de inocentes encarcerados começa a dar as caras. O Congresso opera para a instalação de uma CPMI, que provavelmente começará pela investigação do que teria sido o único golpe de Estado da história promovido por civis desarmados. Depois vai examinar o desempenho dos órgãos responsáveis pela prevenção de possíveis ameaças à ordem pública e à segurança nacional. Como era de se esperar, nenhum parlamentar do PT assinou.
Os Ministros e outras autoridades, no governo não querem ouvir falar nas investigações. É lamentável, mas ainda são mantidos 800 presos na Papuda e na Colmeia. Os inocentes que saíram são obrigados a usar tornozeleira eletrônica. A todos continua vedado o acesso a redes sociais. Todos tiveram o passaporte cancelado. Todos terão de apresentar-se semanalmente à Justiça do Estado em que residem. Alexandre de Moraes acaba de inventar a liberdade algemada.
Vicente Lino.