Após as eleições na Câmara e no Senado, todos os discursos falavam em pacificação, democracia, respeito às leis e à Constituição e por aí vai. Na prática a coisa continua cada vez pior. Reportagem da Gazeta do Povo dá conta de que os advogados que defendem manifestantes presos por suposta participação no ataque aos prédios dos Três Poderes, no dia 8 de janeiro foram impedidos de manifestar, em frente ao Complexo Penitenciário da Papuda. O protesto seria contra as supostas irregularidades e abusos, em processos envolvendo seus clientes. Não se sabe se isto pode ser chamado de pacificação, muito menos de respeito ao devido processo legal.
A manifestação marcada para o dia 02 de fevereiro foi impedida por uma intimidação jurídica, da juíza da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, Leila Cury. Ao determinou providências necessárias, para impedir a realização da manifestação, a magistrada alegou que não há notícia de qualquer falha ou irregularidade nos procedimentos, que asseguram aos presos o acesso a atendimento por advogados ou defensores. Entretanto, continuam as dificuldades, em especial quanto à falta de acesso aos autos processuais dos presos, como afirma o advogado Ezequiel Silveira. Segundo ele, continuam os maus-tratos a 142 mulheres presas. E que haveria apenas uma pia, dois chuveiros frios e três vasos sanitários, um deles entupido, para uso de todas elas. Algumas dormem no chão e a alimentação é de má qualidade.
Em outra reportagem, a Gazeta do Povo mostrou o relato de advogados que afirmaram que não podem entregar kits de higiene em quantidade suficiente nas carceragens. Presas tiveram que usar sacos plásticos como absorventes ou ficaram até uma semana sem trocar roupas íntimas. Isso tudo ocorre no Brasil Real. Brasil que não recebe os mesmos direitos percebidos nos gabinetes e nos palácios.
Vicente Lino