Em abril do ano passado, o jornalista Jose Roberto Guzzo produziu extraordinário artigo com análise mais do que precisa sobre as ações do STF, naquele momento. O desfecho que agora assistimos faz justiça a um dos maiores jornalistas da imprensa brasileira. Em seu profético artigo “estão querendo virar a mesa”, ele já afirmava “a impressão que se tem, pelos fatos ocorridos em público até agora, é que o STF dará, sim, um golpe de Estado para impedir um segundo mandato de Bolsonaro”.
De fato, assistimos a interferência, cada vez maior, da Corte no governo e, principalmente no processo eleitoral. E que “tratava-se ali, de um golpe em câmara lenta, a ser organizado na frente de todo mundo e executado, justamente, pelos que se apresentam ao público como os grandes defensores da democracia, do Estado de direito e do poder civil — e que, no Brasil de hoje, se sentem angustiados com a ameaça de perderem os confortos que têm”. Na mosca. Foi um corre-corre de adesões ao ex-condenado e de traições a Bolsonaro. O governo já vinha sendo atacado, por boa parte da imprensa, do poder judiciário e pelos que lutavam para voltar à cena do crime.
O mestre acertou e deu no que deu. Sobre a moçada que operava para voltar de qualquer maneira, ele afirmou ser aquela gente que vem com uma doutrina destes nossos tempos, e talhada exatamente para a situação do Brasil de hoje. Para salvar a democracia, dizem os seus pregadores, é preciso ignorar as regras da democracia e anular, de um jeito ou de outro, os resultados da eleição presidencial que será feita em outubro próximo através do voto popular — conforme for esse resultado, é claro. Ou seja: para haver democracia, é preciso que não haja democracia”. Pena que a profecia do grande jornalista tenha se realizado. Pagaremos muito caro.
Vicente Lino