Faz tempo que a gente vem cobrando mais ação dos deputados e senadores que habitam o Congresso brasileiro. Talvez por isto mesmo, a moçada resolveu mostrar serviço. A gente não precisa ficar nada entusiasmado porque o serviço de que se fala é aquele, estritamente em interesse próprio. É coisa velha. Não faz muito tempo, quando o STF, sempre ele, decidiu acabar com o financiamento das eleições, por empresas particulares, a moçada mostrou serviço e aprovou, instantaneamente o tal fundão eleitoral de 6 bilhões. Para eles, claro. A gente só paga.
Agora, num momento em que a população clama por providências capazes de jogar luz no opaco processo eleitoral e do apavorante resultado que ele apresentou, suas excelências arranjaram tempo e energia para outras tarefas. O Senado Federal aprovou, na sessão desta terça-feira, 20, um projeto de lei que viabiliza o reajuste salarial para os servidores da Casa pelos próximos quatro anos. Essa esperteza, de 19,25% em três anos, deve gerar um impacto superior a R$ 5 bilhões nos próximos quatro anos. A proposta aprovada no Senado segue agora para votação na Câmara que também, vai aprovar, claro. Pronto; agora a gente não pode falar que eles não trabalham, porque daqui a pouco vem mais conta pra gente pagar.
Nos próximos dias, o Legislativo deve também votar projetos de lei com reajuste salarial aos servidores da Câmara dos Deputados e do Tribunal de Contas da União, ambos com o mesmo porcentual de reajuste. O Poder Judiciário também já pediu elevação salarial aos seus servidores. A coisa só piora, porque os salários de deputados e senadores também poderão ser reajustados ainda neste ano, para valer a partir de 2023. Já estão em tramitação emendas ao Orçamento para reservar R$ 570 milhões para reajustes nas duas Casas. Se aprovadas as emendas, os salários de deputados e senadores subiriam de R$ 33,7 mil para R$ 36,8 mil, um aumento de mais de 9%. A isso aí, dão nome de defesa da democracia. Para o Brasil decente, isto é a defesa de inaceitáveis privilégios.
Vicente Lino.