Quem, munido de antiácido ainda acompanha decisões do Supremo ficou sabendo que se depender de Gilmar Mendes, a gente não precisa mais do Congresso. Deputados e Senadores criticaram a decisão que determinou que os recursos destinados ao Auxílio Brasil sejam excluídos do teto de gastos. Claro que é mais uma canetada que usurpa as funções do Executivo e do Legislativo. O deputado federal Marcel van Hattem disse que “De uma só vez, a decisão desrespeita a harmonia dos Poderes e o Estado de Direito, pilares fundamentais para a democracia. É inadmissível que os guardiões da nossa Constituição rasguem seu texto.”
Bem, a gente sabe que o texto constitucional vem sendo rasgado há muito tempo, por Gilmar e por seus pares, que, calados são coniventes. Dentre outros parlamentares indignados, senador Plinio Valério afirmou que daqui a pouco, chegaremos à conclusão de que os políticos não são necessários. O Senado é a última instituição que pode tomar alguma medida. Para uma doença grave, apenas os remédios amargos. A gente ainda não sabe de que remédios amargos o senador Valério está falando, mas sabemos que, até agosto de 2021, estavam no senado, pelo menos 18 pedidos de impeachment contra ministros do Supremo e que Alexandre de Moraes é o mais visado da Corte com 8 pedidos. Sabemos, também, que um dos pedidos conta com mais de 3 milhões de assinaturas.
Senadores deveriam parar de falar em remédio amargo e cumprir o que determina as leis. Deveriam acordar o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco, para fazer valer a vontade do povo e aprovar pedidos de impeachment, afastando do senado os ministros que, segundo eles, desrespeitam a harmonia dos Poderes e o Estado de Direito. Por enquanto, nossa democracia respira por aparelhos. E sem remédio, ainda que amargo, acaba falecendo.
Vicente Lino.