Não sabemos aonde a atual desordem institucional vai nos levar. O presente é de muita apreensão e o futuro de medo, aliás, muito pavor com o que está por vir, quando consideramos a falta de firmeza onde se assentam os atuais valores ético-políticos. A falta da ética torce o necessário exercício da política e transforma em farsa escancarada o que poderia ser a preparação para o respeito e a harmonia entre os poderes. O que se vê é o desarranjo, a ganância e a falta de seriedade na distribuição de cargos para os supostos vencedores do pleito.
O advogado Sebastião Ventura paixão, em mais um brilhante texto nos lembra de que: Mais que comprometer conquistas políticas da democracia, esta voracidade faz ruína de pilares fundantes da civilização, entoa a barbárie hostil sobre os postulados da razão pensante, da ordem, da decência de procedimentos, do entendimento e da paz social. Sebastião Ventura lança um alerta para as autoridades que ainda restam, afirmando que aqueles capazes de reagir com altura e altivez se omitem – salvo raras exceções – entre lençóis de comodismo, apatia e covardia. Fazem de conta que o problema não é com eles, apegando-se à vã ilusão de que a tragédia não irá atingi-los.
Esquecem que, quando a noite cai, a escuridão não separa tolos, ingênuos ou covardes. De fato, a multiplicação de ministérios para acomodar apaniguados, o avanço sobre os poucos recursos acima do teto de gastos e a abjeta e obscura alteração das leis, para favorecer nulidades, só favorecem o ressurgimento de prontuários de incompetência que perambulavam por aí á espera da volta deste pesadelo que pode cair sobre a nação.
É onde estamos: Ventura conclui o texto afirmando que: No cair da tarde, o Brasil navega completamente sem rumo. A Constituição deixou de ser nossa bússola. O choque de poder é frontal. A legalidade afunda. O desentendimento reina. A democracia sofre. O povo agoniza. A civilização retrocede. Antes do abismo, a gente pergunta se ainda há tempo de salvar o Brasil?
Vicente Lino.