A audiência realizada ontem, no Senado que pretendia discutir o desequilíbrio das inserções de rádio nas eleições se transformou em um debate ainda mais proveitoso e necessário. Falou-se das suspeitas sobre as urnas eletrônicas, o sistema eleitoral e a atuação de ministros do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal. Parlamentares e convidados acusaram os magistrados de abuso de autoridade, o que não é nada novo porque a gente vê os abusos a toda hora. Crescem as manifestações e vale destacar algumas. O deputado Marcel Van Hattem, que pretende investigar os abusos dos ministros, avaliou que não há desculpa para a Câmara não começar os trabalhos imediatamente.
O jurista Ives Gandra afirmou que a harmonia entre os poderes não tem sido respeitada e que o Supremo investiga e dá início a ações mesmo quando a Procuradoria-Geral da República pede que seja arquivado. O presidente do Instituto Voto Legal, Carlos Rocha, falou sobre o relatório que pediu a invalidação dos votos de 279 mil urnas e que foi rejeitado por Alexandre Moraes. O argentino, Fernando Cerimedo, falando para senadores e deputados, reforçou tecnicamente os dados segundo os quais modelos mais antigos das urnas tenderiam a registrar mais votos para Lula do que Bolsonaro.
E a coisa não parava. Fábio Wajngarten denunciou que a campanha de Bolsonaro não teve exibidas 1,253 milhão de inserções em emissoras de rádio durante as eleições e o desembargador aposentado do Tribunal de Justiça Sebastião Coelho, reafirmou que o ministro Alexandre de Moraes, deveria ser preso por praticar crimes reiteradamente. Dentre outros, estão pedindo o enquadramento do STF ás leis; a carta dos generais do exército, o movimento Advogados de Direita do Brasil, 10 seccionais da OAB, agora o Congresso nacional e, muito principalmente, milhões de brasileiros. Os ministros do STF foram convidados cinco vezes, para audiências no Senado e nunca compareceram. Passou da hora de provar que o Supremo não pode mais que o povo brasileiro.
Vicente Lino.