A gente não sabe mais o que resta fazer, para trazer de volta a liberdade que nos foi tirada, nem a quem recorrer para o país voltar à normalidade. Talvez seja por conta do encaminhamento que o TSE tem dado às tentativas de aprimoramento das urnas. A busca por eleições seguras e transparentes começou lá atrás. Se essa busca fosse vitoriosa, talvez o país não experimentasse as incertezas que, agora esgarçam o tecido social e beiram a convulsão. Não é conspiração. São os fatos.
Em 2009, pela primeira vez, o Congresso aprovou o acoplamento de uma impressora à urna eletrônica. Aí, em 2011 o processo foi derrubado a primeira vez, pelo STF. Depois foi aprovada, outra vez, no Congresso, em 2015 e vetada por Dilma Rousseff. De novo, a tentativa foi restituída, pelo Congresso, agora pela terceira vez. Foi suspensa liminarmente, pelo STF, em 2018 e finalmente foi declarada inconstitucional pelo STF, em 2020. De novo, não se trata de conspiração. É a cronologia dos fatos, que nos trazem ao desastre e são verificáveis, em qualquer mecanismo de busca. Mais uma tentativa foi da Deputada Bia Kicis. Ela apresentou a PEC 135/2019, para instalação das impressoras.
Luis Roberto Barroso interferiu na Câmara e os líderes dos partidos favoráveis à impressora, foram substituídos por outros contrários. Projeto nem foi à votação em plenário. A partir daí, as urnas se tornaram sacrossantas e, a cada segundo, somos avisados que são seguras, intransponíveis, invioláveis e transparentes e o orgulho do Brasil. O Ministro Barroso primeiro afirmou “eleição não se ganha, se toma”. Depois emendou, “Perdeu, Mané, não amola”. Finalmente disse que não adianta apelar a quarteis nem extraterrestres. Assim, nossa democracia navega num perigoso mar de mistificação, truculência e deboche.
Vicente Lino.