Ainda não é a reação que a sociedade precisa e merece das entidades de classe, contra o que anda fazendo o Ministro Alexandre de Moraes. Mas, pelo menos, entidades importantes começaram a se manifestar. Claro, que deveriam ter começado bem mais cedo, mas, ainda assim, vale comentar. No dia 19, presidentes de dez seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediram que o Conselho Federal emita um parecer sobre a decisão do ministro Alexandre Moraes, que bloqueou contas bancárias de 43 pessoas físicas e empresas. Ele determinou os bloqueios com a justificativa de barrar o financiamento de possíveis atos antidemocráticos. A gente não sabe se o presidente da OAB nacional, Betto Simonetti, vai acatar o pedido.
Como se sabe, a OAB nacional tem mantido vergonhoso e constrangedor silencio frente ás arruaças da suprema corte. Os presidentes das seccionais dizem que receberam reclamações de advogados “no sentido de que o próprio acesso aos autos estaria sendo cerceado, sendo permitida somente no gabinete de Moraes, em violação às prerrogativas profissionais”. Além das seccionais de 10 estados, um grupo com 4.360 advogados também apresentou pedido de providências ao presidente do Conselho Federal, Beto Simonetti. Eles fazem parte do “Movimento Advogados de Direita Brasil”, questionam o “bloqueio imediato de contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas” determinado por Moraes. Além disso, lembram, também, que o ministro está impedindo o “amplo acesso dos advogados nos referidos autos”, o que é inconstitucional.
São entidades importantes, que conhecem bem os meandros da justiça brasileira, que se juntam aos milhões de brasileiros nas ruas, para contestar ações e pedir providências contra o ministro. Pra parar o ministro faltam outras 17 seccionais, a OAB Federal, além de todos que defendem a legalidade nos processos e prezam por mais liberdade.
Vicente Lino.