A conversa na praia girava em torno, do que a moçada da televisão gosta de chamar de polarização. O papo era de que as pessoas estavam de um lado ou de outro do espectro político, para as eleições deste ano. Claro, que cada lado apresentava argumentos favoráveis ao seu candidato e contrários ao outro, o que não é novidade. Tentei outro olhar sobre a conversa, ponderando que, talvez, devêssemos examinar ações de governo, todos os governos. Tentei argumentar, que não é possível um governo demonstrar incompetência todo o tempo e que alguma coisa boa, praticamente todos os governos acabam fazendo para o povo.
Daí, a sacada seria examinar os bons e maus momentos de cada governo, com olhar atento para as intempéries sofridas para cada um, a atuação do Congresso, para ajudar ou atrapalhar a administração e por aí vai. De repente, nos deparamos com uma questão que, no passado não era muito suscitada e, agora não sai das rodas de conversa. Entrou no papo o poderoso, até mais do que deveria ser, Poder Judiciário. Claro, que aí a gente começa a girar em torno do próprio eixo, na medida em que não há recurso contra esse poder. Muito especialmente quando age dentro da bolha que fecharam hermeticamente. Ali o povo não entra. Esse poder exclui nossa conversa de praia, ignora as ações de governo, dá de ombros para as manifestações da sociedade.
Basta ver o que falaram sobre o 7 de setembro do ano passado e as comemorações de agora. Foi aquele raro momento em que um grupo, com opiniões divididas, encontrou um único caminho, mirou no mesmo alvo e rezou a mesma oração. O Judiciário é responsável pelo perigoso ruído que atormenta a nação, causador da desarmonia entre os poderes e culpado pelo nosso medo maior. Por isso mesmo, ajoelhados na areia, oramos pedindo aos céus, pra mandar temperança e juízo ás autoridades antes que seja tarde demais.
Vicente Lino