Quem assistiu à sabatina com Lula, no Jornal, Nacional, viu o ex-presidente afirmar que o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) não é mais o mesmo de 30 anos atrás. Disse, também, que o MST só invadia terras improdutivas. O que o candidato falou não tem nada a ver com os fatos. A coisa andava tão feia que, em 2004, o então governador da PERNAMBUCO Jarbas Vasconcelos, cobrou de Lula uma solução para as invasões. Segundo Jarbas, a insubordinação do MST á lei causava enorme tensão social e colocava Pernambuco em primeiro lugar no ranking de ocupações ilegais no Brasil.
Em sabatina de verdade, os repórteres teriam lembrado ao candidato que, de janeiro a julho de 2004, foram 171 invasões de terra e pelo menos 18 assassinatos resultantes de conflitos agrários, segundo dados do antigo Ministério do Desenvolvimento Agrário. Ao todo, foram 75 registros no Nordeste, 34 no Sul e 34 no Sudeste; 23 no Centro-Oeste e cinco no Norte. E a coisa só piora porque nos sete primeiros meses de 2004, foram 18 assassinatos no campo. Em 2009, a tigrada invadiu uma fazenda no interior de São Paulo destruiu mil pés de laranja expulsou algumas famílias de funcionários, inclusive com crianças o que prejudicou o acesso dos menores à escola. Ao todo, foram 1.968 invasões de terra durante os dois mandatos do ex-presidente Lula.
Mais que passou da hora dessa gente parar com invasões. Conforme o engenheiro e pesquisador da Embrapa, Evaristo de Miranda, em 2021 o país produziu 221,6 milhões de toneladas de soja e milho. São duas colheitas anuais, na mesma terra. Só esses dois grãos atenderiam à demanda básica de calorias, por um ano, de quase 900 milhões de pessoas. Pra não atrapalhar, o MST tem que cumprir a lei ou ser severamente punido.
Vicente Lino.