Estamos acompanhando, cada lance do xadrez que envolve o TSE e as Forças Armadas, em relação à segurança das urnas eletrônicas e à transparência das próximas eleições. Não é difícil perceber algumas discrepâncias que ainda precisam ser contornadas, no tabuleiro em que as peças são movidas. As Forças Armadas sugeriram ativar a biometria nas urnas que passarão pelo teste de integridade no dia das eleições, e aumentar a quantidade de urnas para este teste. Em 2022, das 577 mil urnas que serão utilizadas, apenas 600 serão testadas. Pouco mais de 1% do total. No lance seguinte, o ministro Edson Fachin respondeu ás Forças Armadas que o TSE não vai submeter ao Teste Público de Segurança, as 224.999 urnas que não passaram por este teste no ano passado.
É este o teste em que “hackers” passam uma semana no TSE tentando encontrar fragilidades nas máquinas, de modo que sejam depois corrigidas pelos técnicos do tribunal. Aí, o TSE falou que o modelo de urnas de 2020 não precisa do TPS, porque é uma evolução do modelo que foi testado 2015. Depois, tivemos o pedido do Partido Liberal, negado pelo TSE, para credenciar o Instituto Voto Legal (IVL) a auditar os procedimentos e tecnologias utilizadas para garantir a integridade da apuração e totalização dos votos. Temos então, que o TSE, não responde aos pedidos do ministro da Defesa. Temos, também, um relatório da PF afirmando que as urnas não são auditáveis.
Pra tudo isto, a cantilena do ministro Fachin foi a seguinte: “Renovo, no ensejo, os nossos respeitosos cumprimentos a Vossa Excelência, igualmente expressando nossa elevada consideração às Forças Armadas e a todas as instituições do Estado democrático de Direito no Brasil” Pronto: estamos todos convidados a acreditar na segurança das urnas, na transparência do processo eleitoral e, principalmente, no ministro Edson Fachin.
Vicente Lino.