Extraordinária reportagem de Augusto Nunes e Silvio Navarro, para a Revista Oeste, mostra como nossa justiça, de uns tempos pra cá, resolveu andar de costas para a compostura, maltratar a Constituição e aterrorizar o cidadão que trabalha por um Brasil mais justo. O leitor é confrontado com o que a reportagem batizou de “O mais obsceno faroeste à brasileira” Em seguida explica como, em conluio com parte do Poder Judiciário, os criminosos não conseguem esconder a desfaçatez, a perversidade e a ganância, fora o resto. Está lá: A bandidagem punida pela Lava Jato quer de volta o dinheiro que entregou para escapar da cadeia.
Ao escrutinar as ações da operação Lava Jato, os jornalistas exibem números que impressionam. Foram recuperados 15 bilhões de reais, presos 295 criminosos, realizadas 1.450 operações de busca e apreensão, dentre outros números que escancaram um país, que tivera a roubalheira institucionalizada. O governo se tornara sócio de usinas de licitações criminosas, contratos superfaturados, aditivos pornográficos e propinas de dimensões siderais. E essa gente não para. A coisa é tão absurda que agora, apareceram no palco delatores premiados que querem recuperar o produto do roubo usado para driblar a gaiola. A realidade brasileira supera o que há de mais inventivo na estante do realismo fantástico, como afirma a reportagem.
O jurista Ives Gandra Martins ensina que é simplesmente imoral pretender a devolução do dinheiro saqueado por ímprobos administradores. Segundo ele não houve qualquer cerceamento de defesa e as decisões foram baseadas em provas materiais de corrupção, concussão, desvio de verbas públicas, favores inadmissíveis e retorno da parte do assalto às finanças estatais. O Brasil se tornou um país de corruptores sem corruptos. Pela reportagem, tudo deve caber em uma única frase: “Quando as investigações se aproximaram perigosamente de alguns ministros do Supremo e seus amigos, os ameaçados resolveram estancar a sangria.
Vicente Lino.