Excelente reportagem do jornal GAZETA DO POVO nos informa que está em curso uma daquelas iniciativas que podem melhorar o ambiente da política brasileira, e trazer de volta a esperança que a destruição da operação Lava Jato levou embora, para nossa decepção. O nome da esperança é Projeto Brasil 200+.De acordo com a reportagem, a entidade tem como foco a eleição de nomes comprometidos com pautas de combate à corrupção e busca eleger ao menos 200 deputados federais. O integrante mais conhecido é o ex-procurador Deltan Dallagnol, que comandou a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba e é pré-candidato a deputado federal no Paraná pelo Podemos.
A sociedade estaria bem representada por esse grupo que tem algumas prioridades muito caras ao Brasil. A lista de princípios inclui temas como o fim do foro privilegiado, a defesa da prisão dos condenados em segunda instância e a redução dos recursos destinados ao fundo eleitoral ou mesmo sua extinção. As regras também estabelecem que um integrante do grupo que for eleito deverá se afastar do cargo caso se torne réu por corrupção, e renunciar se for condenado. Tudo muito contrário ao que assistimos, no dia a dia da política brasileira, desde tempos imemoriais. Do lado de cá a sociedade torce pelo sucesso dessa empreitada, na medida em que boa parte do atraso está justamente no Congresso, que aprova leis quase unicamente em beneficio próprio e desaprova os projetos que poderiam melhorar a justiça e a vida do brasileiro.
Com duzentos deputados no Congresso, dispostos a trabalhar contra a corrupção, talvez a legislação brasileira pudesse olhar os interesses do país, ao contrário de manter e aumentar privilégios e dar de ombros para ações que poderiam melhorar a vida do pagador de impostos. O fim do foro privilegiado extirparia uma inaceitável excrescência, a prisão após condenação em segunda instância retiraria os criminosos das ruas mais rapidamente e a extinção do famigerado fundo eleitoral devolveria ao povo, os recursos imoralmente destinados às campanhas eleitorais. Já seria um ótimo começo.
Vicente Lino.