O ministro Gilmar Mendes, em longa entrevista à colunista Daniela Pinheiro teve a coragem de afirmar que o inquérito das Fake News é um exemplo de como as instituições estão funcionando bem no Brasil. Não é nada disso. Primeiramente o inquérito não poderia ter sido instaurado e conduzido pelo STF, além do que não existe crime de fake News tipificado no código penal. Também não foram explicados quais fatos concretos e individualizados originaram a abertura do inquérito. Tem mais: Alexandre Moraes foi escolhido, quando o regimento do Supremo determina o sorteio.
E os advogados dos investigados não tiveram acesso ao inquérito. As irregularidades deste inquérito não cabem neste espaço. Depois Gilmar afirmou que o STF foi aplaudido por todos, fingindo esquecer-se da multidão nas ruas criticando, merecidamente, aquela Corte. Na mesma entrevista, o ministro disse acreditar que hoje o Supremo Tribunal Federal está mais unido. De fato uniram-se acobertando as ilegalidades uns dos outros. Gilmar disse que acredita na resistência das instituições brasileiras. Ocorre que os brasileiros não acreditam na instituição a que ele pertence. Ele a envergonha, conforme afirmou em certa ocasião, o então ministro do supremo, Joaquim Barbosa.
Ao afirmar que as pessoas acreditam no processo eleitoral, Gilmar finge se esquecer de que as urnas foram violadas, conforme relatório da Policia Federal e que, se hoje não temos a urna auditável, foi por interferência direta de seu colega Luiz Roberto Barroso. A entrevista de Gilmar Mendes desnudou a bolha em que vive e o desconhecimento que tem da realidade brasileira. Sem luz a iluminar a escuridão em que vive o STF, a sociedade continuará assistindo o impiedoso massacre ás leis e o inaceitável desrespeito à Constituição, tantas vezes demonstrado por aquela Corte.
Vicente Lino.