O noticiário traz preocupante alerta sobre uma petição apresentada em maio do ano passado e atendida, agora, pelo Ministro Gilmar Mendes. Gilmar dá provas de que continua firme em seu propósito de destruir o que resta da Operação lava Jato, como se não bastasse o seu empenho para anulação de processos e soltura de conhecidos criminosos. Desta vez, ele trancou três ações penais e anulou investigações iniciadas ainda em 2015, que tramitavam em Curitiba e São Paulo, contra o empresário Walter Faria, dono da cervejaria Petrópolis.
Faria chegou a ser preso em 2019 e só saiu pagando fiança de 40 milhões. Mais uma vez Gilmar Mendes apontou a incompetência da 13ª Vara de Curitiba e suspeição do ex-juiz Sergio Moro. As ações estão trancadas e Walter Faria continua solto, apesar de réu nos processos por suposta lavagem de dinheiro, de acordo com o Ministério Público Federal. Segundo a acusação, entre 2006 e 2007, ele teria disponibilizado contas na Suíça que receberam ao menos US$ 3,6 milhões. De acordo com a denúncia e pra não variar nada, os senadores Renan Calheiros (AL) e Jader Barbalho (PA) e o ex-deputado Aníbal Ferreira (CE) teriam recebido parte da quantia, em troca de apoio à permanência de Nestor Cerveró no cargo de diretor internacional da Petrobras.
O temor de procuradores é que agora outras petições semelhantes sejam apresentadas, levando a mais anulações. O homem só piora, porque desta vez admitiu e justificou o uso de mensagens hackeadas dos procuradores de Curitiba como base para declarar a parcialidade de Moro na investigação, algo que não havia feito de maneira formal na ação de Lula. . Na prática, o ministro anulou não apenas as ações, mas também boa parte da investigação, parecido com o que ele fez em favor de Lula. Gilmar não liga, mas Brasil decente sabe que esta não é a verdadeira justiça.
Vicente Lino.