O excelente texto de Fernando Schuller, para a revista Veja, confirma o que a gente sabe desde criancinha. Ele fala da sobrevivência dos velhos males de nosso mundo político e da desorganização da política pública. Crava que o nosso velho patrimonialismo continua vivo e forte e mostra dados sobre o congresso que são de cair o queixo. Ao examinar os gastos do congresso, a gente percebe irresponsabilidade e soberba, no lugar de espírito público e competência. Cada parlamentar nos custa 5 milhões de reais por ano, enquanto na Inglaterra, cada parlamentar custa 477 000 reais por ano.
Como pode um Brasil pobre, onde metade da população vê o esgoto correndo a céu aberto, gastar com seu congresso dez vezes mais que a Inglaterra? Não adianta perguntar; suas excelências não responderão. As coisas não mudam porque o congresso, de fato, nunca muda. Segundo Schuller, os candidatos que já eram parlamentares nas últimas eleições receberam em média 996.000 reais para suas campanhas, enquanto os novatos receberam 70.000 reais, o que, praticamente anula qualquer possibilidade de renovação.
No judiciário, a coisa só poderia piorar claro. A moçada lá, nos custa 1,4% do PIB, enquanto que o judiciário, na Alemanha, custa 0,4%. Melhor nem tentar comparar o sistema judiciário alemão com o nosso Vai piorar que há uma PEC, no congresso que cria um adicional de 5%, a cada cinco anos de magistratura. Tem mais; a tigrada quer receber a grana retroativamente. Não satisfeito, o senador Alexandre Vieira propõe que o benefício seja dado a todo o funcionalismo. Nossa enorme carga tributária, nunca será suficiente para cobrir tanto gasto e satisfazer tanta irresponsabilidade.
Vicente Lino