A justiça brasileira continua gestando um absurdo atrás do outro. Agora o sacrificado foi o procurador da República, Deltan Dallagnol. O Tribunal de Justiça de Alagoas acaba de determinar que o procurador e ex-coordenador da força-tarefa da Lava-Jato, indenize o senador Renan Calheiros, em 40 mil reais por danos morais, por conta de tuites que ele divulgou antes da disputa pela presidência do Senado, no início de 2019. O que a sociedade brasileira conseguiu conquistar com as ações da Operação Lava Jato, continua sendo demolido por inaceitáveis movimentos contrários. Estamos assistindo bandidos transformados em vítimas e os defensores da lei condenados pela justiça.
Em 2020, este mesmo caso, foi levado ao Conselho Federal do Ministério Público. Lá, foi aplicada uma vergonhosa pena de censura a Dallagnol. Esse processo chegou a ser suspenso pelo então Ministro Celso de Mello, mas aí, o grande Gilmar Mendes, aproveitando-se de licença médica do colega, reverteu a suspensão, o que não foi surpresa pra ninguém Celso de Mello tinha afirmado o seguinte: um servidor de trajetória exemplar é condenado por simplesmente exercer um direito constitucional, por ter apenas emitido opiniões que irritaram um senador que, mesmo sem ter estatura moral alguma, ainda é um dos “donos do poder” da República. Dallagnol tinha publicado que, se Renan fosse eleito presidente do Senado, dificilmente veríamos reforma contra corrupção aprovada, porque Renan tem contra si várias investigações por corrupção e lavagem de dinheiro. Só falou verdades incontestáveis e ainda assim foi condenado.
Bem: Mesmo sem estatura moral, Renan ganhou. O Brasil perdeu junto com um servidor de trajetória exemplar, que contribuiu de forma decisiva para desmontar o maior escândalo de corrupção da história do país. A vingança dos corruptos condenou Dallagnol por emitir opiniões e falar verdades.
Vicente Lino.