07.10.2021 – A INDIGNIDADE DO SILÊNCIO.
A CPI da Covid, instalada na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, conseguiu convocar o Sr. Carlos Gabas para prestar depoimento. Coisa que a CPI da Covid no Senado evitou fazer e continua correndo do Secretário-executivo do Consorcio Nordeste. O Governador da Bahia, Rui Costa, presidente do Consorcio foi cobrado por Senadores, que querem explicações sobre fraude na compra de 300 respiradores hospitalares por 48 milhões de reais que não foram entregues à população dos estados que compõem a região Nordeste. Além do que, a empresa responsável pela intermediação com fornecedores chineses, HempCare Pharma, é alvo de investigações da Polícia Civil da Bahia. A coisa é tão feia que o senador Zequinha Marinho do PSC do Pará defende um projeto, em que a fraude em licitação para compra de equipamento de combate à epidemia, seja tipificado como crime hediondo.
Quando o Brasil decente começou a se animar, eis que o secretário-executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Eduardo Gabas, conseguiu decisão liminar, em pedido de habeas corpus preventivo, que assegurou o direito constitucional ao silêncio, durante o depoimento que deverá prestar à Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembleia Legislativa. A decisão foi do desembargador João Rebouças. Agora, quando perguntado onde foram parar os respiradores, ele ficará em silencio. Como foi distribuída a dinheirama, ele permanecerá mudo, Quando cada participante do bando recebeu, ele não dará um pio. E, claro, que fará cara de paisagem, quando perguntado por que comprou respiradores de empresas produtoras de maconha e derivados.
É onde chegamos. O tal Consorcio Nordeste não dará nenhuma explicação e a sociedade, que paga por tudo isso, até já sabe o que será feito com mais esses 48 milhões. Como sempre, as oposições e a outrora grande imprensa não se incomodarão com nada disso. Alguns vão até bater palmas.
Vicente Lino