27.08.2021 - A CENSURA QUE O BRASIL NÃO QUER.
Já falamos por aqui sobre ações do judiciário que atentam contra as liberdades de informação e expressão, consagradas na Constituição. Parece que a censura voltou ao período mais triste da ditadura terminada em 1986. Incomoda ver a imprensa calada, logo ela que deveria ser a primeira a botar a boca no trombone. Agora, parece que a coisa começa a mudar. A reação demorou, mas felizmente um grupo parece disposto a defender seu direito à informação. As Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgaram uma nota de repúdio a decisões judiciais que impediram a publicação de conteúdos jornalísticos.
O comunicado cita alguns casos, como a censura prévia imposta contra reportagens da RBS TV, da Revista Piauí e do jornal O Globo, e pede que essas decisões sejam revertidas. Questões como esta deveriam ser motivo de repúdio de toda a sociedade. O judiciário não pode se arvorar ao direito de saber o que é e o que não é verdade. O que podemos e o que não podemos ler, ouvir ou assistir. Em nota, as associações afirmam que este ato significa privar os cidadãos do direito de serem livremente informados. E ainda que, é lamentável que há tantos anos a censura prévia se repita em nosso país, partindo exatamente do Poder Judiciário, responsável pelo cumprimento das leis. A nota cita casos de censura a uma reportagem da RBS TV, outra da Revista Piauí, sobre denúncias de assédio sexual do humorista Marcius Melhem, além de outra com informações financeiras da VTC Log, empresa investigada pela CPI da Covid. Não escapa ninguém.
Pelo menos agora, três importantes associações se unem exigindo respeito ao direito de informar, sem censura. A banda boa da sociedade, da imprensa e da política tem que unir forças agora, contra as medidas arbitrárias do judiciário. Ou essa gente nunca mais nos deixa em paz.