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Coluna/Opinião

QUE DEMOCRACIA QUEREMOS? - Vicente Lino

Data: Sábado, 06/06/2020 20:03

Nestes tempos em que voltam as manifestações, talvez valesse a pena olhar, com muita atenção, quais são as pautas da vez e, principalmente, quem as defende. Falo de reivindicações pacíficas e coerentes com os anseios do povo. Claro, que aí não contam os baderneiros e criminosos, apoiados por ideologias baratas e interesses vis que, travestidos de democratas, se infiltram nos movimentos. Nos atos de agora alguns foram presos. Não foi surpresa o fato de terem sidos recepcionados por advogados, que já os esperavam, prontos para as defesas, a exemplo do que ocorrera com os black blocks, nos atos de 2014. As investigações deveriam esclarecer como essa gente adivinha o que vai ocorrer. O noticiário de agora, deu conta de que os partidos de oposição, PT à frente, apoiaram e participaram dos atos, empunhando bandeiras a favor do que  entendem como “democracia” e contra o que eles definem como “fascismo”. Era assim, como se soubessem o significado de uma ou outra coisa.

Só pra lembrar:

  Em maio de 2014, Dilma Roussef assinou o decreto de nº 8.243 aquele sim, escancarava o autoritarismo que o PT perseguia. A excrescência pretendia criar um tal de “Sistema Nacional de Participação Social”, que alterava o que se entendia por “sociedade civil”. O jornalista Fernão Lara, lembrou, em artigo para a Folha de S. Paulo, que: “pelo decreto, sociedade civil” deixaria de ser “o conjunto dos brasileiros e seus representantes eleitos por voto secreto, segundo padrão universalmente consagrado de aferição da legitimidade desse processo, e passaria a ser um grupo indefinido de “movimentos sociais” que ninguém elegeu e que caberia ao secretário-geral da Presidência, e a ninguém mais, convocar para examinar ou propor qualquer lei, política ou instituição existente ou que vier a ser criada daqui por diante em todas as instâncias e entes de governo, diretas e indiretas, o que afetaria, também, os governos estaduais e municipais, que àquela altura, eram oposição” É isto que aquela gente que apoiava o famigerado decreto quer fazer renascer?

E como se comportou a imprensa? Vale lembrar, mais uma vez, o grande Fernão Lara. Na ocasião, ele afirmou que “Apesar da violência desse enunciado, a maioria dos jornais e televisões do país nem sequer registrou o fato. E mesmo os que entraram no assunto depois vêm diluindo o tema no noticiário como se não houvesse nada com que seus leitores devessem se preocupar. Prossegue a sucessão de manchetes em torno do golpe de 1964, mas para o de 2014 o destaque é próximo de zero. Nenhum critério jornalístico justifica isso”. E mais: O PT já havia tentado coisa parecida, ou pior, com um tal de “Terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), no Natal de 2009, no final do governo Lula que, graças à mobilização da opinião pública foi obrigado a abortar. Falta espeço para descrever as monstruosidades desta outra infame tentativa. Pode ser encontrado facilmente nos arquivos por aí e no google. Talvez a imprensa devesse se conscientizar do que entende como democracia e denunciar, com fatos, os grupos que pretendem solapa-la e com que interesses. Melhor que informar de forma incorreta ou ficar em silencio como ficou em 2014. Os brasileiros que querem a verdadeira democracia agradecem.

Vicente Lino

QUE DEMOCRACIA QUEREMOS? - Vicente Lino