27.05.2021 – A GENTE SEMPRE PAGA A CONTA.
Aqui neste canto, temos falado frequentemente sobre a odiosa campanha, contra os mecanismos que tentam combater a corrupção, apontando, na maioria das vezes, para o nosso poder judiciário. Não há espaço para apontar as manobras desse poder a favor de criminosos que acabam soltos, para espanto de cada um e nós. Além do que, o foro privilegiado faz com que os processos, contra os poderosos, se arrastem até a prescrição. Todo mundo sabe disso.
A questão é que, também, no poder legislativo há uma tigrada que trabalha, com muito afinco, para dificultar as ações da PF e dos órgãos de investigação no combate a esta abjeção, que beneficia alguns poucos em detrimento da maioria do povo que trabalha. Rola na câmara dos deputados, um projeto para revisão da Lei de Lavagem de Dinheiro, a pedido do ex-presidente daquela Casa, o deputado Rodrigo Maia. Essa lei está em vigor desde 1988, tinha sido atualizada em 2012, mas o grande Rodrigo solicitou nova revisão e, o que é pior, está sendo atendido. A moçada que discute a tal revisão é composta por 43 juristas, boa parte deles, advogados que atuaram na defesa de investigados por corrupção. Uma das mudanças propostas por essas divindades, seria retirar a ocultação de bens e valores da lista de crimes que podem ser enquadrados como lavagem de dinheiro.
Esta jogada malandra no projeto do Rodrigo, levaria o país a desrespeitar uma série de convenções internacionais sobre o tema, o que eles não ligam, desde que os amigos sigam impunes. Suas excelências também pretendem reduzir penas para crime de lavagem de dinheiro. O desrespeito é tão grande que o advogado Antônio Pitombo, que atuou defendendo ladrões do mensalão, apresentou a ideia de reduzir as penas de prisão da tigrada dos atuais 10 anos, para não mais que 6 anos. Há outros projetos tramitando no congresso com objetivos claros; dificultar as investigações, evitar as condenações e suavizar as penas, dos comparsas que nos assaltam desde sempre A gente segue pagando a conta.
Vicente Lino.