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Coluna/Opinião

DINASTIA E MEDIOCRIDADE - Vicente LIno

Data: Terça-feira, 25/05/2021 13:34

25.05.2021 – DINASTIA E MEDIOCRIDADE.

Exceto a moçada que usa e abusa dos privilégios concedidos aos integrantes dos três poderes da república, todo o brasileiro minimamente informado, sabe a dificuldade para mudar alguma coisa, quanto a participação das oligarquias familiares em todas as esferas do governo. Sempre será perda de tempo exigir mudanças se essas mudanças só podem ser feitas justamente por aqueles que mais se beneficiam dos inconsequentes privilégios criados por eles mesmos e somente para eles. Na raiz dessa iniquidade está o fato de que, em todo organismo de estado está gravado o DNA de antigas famílias que se perpetuam no poder. Em Minas Gerais, há dois séculos, está a dinastia de Jose Bonifacio. No Ceará, o clã dos Ferreira Gomes. Os Barbalho do Pará, os Neves de Minas Gerais, os Sarney do Maranhão, os Calheiros e Collor de Mello de Alagoas, os Cunha Lima da Paraíba, os Coelho e Vasconcelos de Pernambuco, os Requião do Paraná e por ai vai.

O professor Paulo Kramer, da Universidade de Brasília, afirma que as oligarquias brasileiras têm uma capacidade surpreendente de adaptação e sobrevivência. Elas conseguem cooptar para seus esquemas de perpetuação quaisquer novas forças e lideranças que surjam. É o que se viu em relação ao PT, tão crítico das velhas dinastias quando estava na oposição, mas que, ao chegar ao poder, germinou rapidamente seus próprios clãs, como os Vianna, no Acre, e os Tatto, em São Paulo. Para a tristeza do Brasil decente, a coisa só piora. Entre 2000 e 2010 os herdeiros representavam 46% do Congresso. Quatro anos depois o índice aumentou para 49%. Não vai parar de piorar.

A partir de 2017, 62% na Câmara e mais de 73% no Senado haviam sido eleitos por oligarquias familiares. O judiciário, também tem suas próprias dinastias. Por isso mesmo, a política, que deveria atrair os quadros mais qualificados e íntegros do país, continuará à mercê da mediocridade e da mesmice. Pobres de nós.

Vicente Lino.

 

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DINASTIA E MEDIOCRIDADE - Vicente LIno