28.04.2021 – CPI DE PRONTUÁRIOS.
Foi dada a partida na CPI da Covid que começou com a intenção de investigar somente o governo federal, que mandou o dinheiro para os estados e depois foi ampliada para investigar, também, os governadores. Ainda bem. Mas, como estamos no Brasil, a escolha dos integrantes da CPI se deu por acordo entre os partidos e os prontuários que começam a desfilar por lá são de causar arrepios. As CPIs têm lá os seus juízes, afinal eles estão incumbidos de investigar, interrogar, produzir relatórios e tudo o mais que, em trabalho sério, contribuiria para esclarecer dúvidas e arejar o nebuloso ambiente que se instala, quando o dinheiro público cai nas mãos da maioria dos nossos políticos.
Por isso mesmo, era de se esperar que tivéssemos gente ilibada para lidar com a coisa. Mas, não é o que se vê. Como afirma o grande Jose Roberto Guzzo, pelo menos um terço de todo o Congresso brasileiro tem problemas com o Código Penal — possivelmente, a maior concentração per capita de gente enrolada com a Justiça, num ambiente só, que existe fora das penitenciárias em todo o território brasileiro. É parte dessa gente que pretende investigar os outros. É um problemaço porque fazem o papel de justiceiros enquanto julgam os outros e enquanto isto eles próprios não são julgados. A coisa assusta muito, por ter na primeira fila de julgadores, nada menos que Renan Calheiros que, como diz a Gazeta do Povo, o cara é dono de uma das mais prodigiosas folhas corridas da história penal do Brasil. Vai investigar o filho, que já está enrolado? Claro que não.
E vem acompanhado de Humberto Costa, o drácula, acusado no caso conhecido como máfia do sangueguessuga e Jáder Barbalho, que, claro vai aliviar o filho, também, já enrolado com a PF. 60 bilhões foram enviados aos Estados. Parte do grupo que vai investigar a roubalheira responde a processos, que dormem em gavetas do STF, por conta do famigerado foro privilegiado. É essa a democracia que respiramos. Merecemos muito mais.
Vicente Lino.