Depois de mais de um ano, com tudo fechado milhares de estabelecimentos falidos e destruição de empregos, as mortes continuaram crescendo. Nossos gestores decidiram, então, que agora a culpa é do povo. Lá atrás, Governadores e prefeitos, Brasil afora, proibiram a circulação de pessoas e mandaram fechar tudo, inclusive os restaurantes e bares. Autorizaram somente entregas em domicilio, mas não explicaram como os cozinheiros e seus ajudantes seriam protegidos viajando espremidos nos ônibus, balsas e metrôs superlotados. Agora, sem mostrar um único estudo que comprove a eficácia do isolamento, governadores e prefeitos dobram a aposta aumentando, ainda mais, as medidas de restrição, algumas delas, flagrantemente inconstitucionais.
Em Sergipe, o Governador Belivaldo Chagas baixou decreto em que autoriza o Estado tomar posse temporariamente, de bens móveis e imóveis particulares. Depois negou, mas o estrago já estava feito. No Rio, Eduardo Paes, mandou fechar as praias e atacou comerciantes, no Rio Grande do Sul, o governador, Eduardo Leite, fechou gôndolas em supermercados a decidir o que o povo gaúcho pode e o que não pode comprar. As reações começaram. Em Santos, o prefeito Rogerio Santos viu os comerciantes nas ruas protestando, com faixas e carro de som. O prefeito Elias Kalil, de Belo Horizonte, acordou com manifestantes, em carros de som gritando que precisavam e queriam trabalhar. Em Juína, no Mato Grosso, houve protesto contra a proibição da venda de bebidas alcóolicas e em Aripuanã manifestantes interditaram a ponte sobre o Rio Aripuanã.
O Brasil quer trabalhar. Não se sabe onde isto vai parar, se as autoridades não conseguirem convencer as pessoas, sobre a eficácia de um isolamento, que já se mostrou ineficaz. A culpa não é do povo e os governantes devem explicações.
Vicente Lino.