26.03.2021 - GENTE MUITO PERIGOSA.
Depois da sofrível encenação teatral, da Segunda Turma do STF, para a votação da suspeição de Sergio Moro, a gente achava que o Brasil decente teria algum alivio e o os variados grupos que operam a favor da impunidade já estavam satisfeitos. Afinal, o maior criminoso estava solto e o ex-juiz que o prendera, agora corre o risco até de prisão. Bem Brasil. Mas, parece que não. Acompanhando o noticiário, a gente está vendo perigosa articulação do Deputado, Paulo Teixeira do PT, capaz de enfraquecer mais ainda o combate ao crime, principalmente o crime de colarinho branco.
O vice-líder do PT – só poderia ser mesmo do PT -, está liderando coleta de assinaturas para uma alteração na constituição. Essa gente quer modificar a composição do Conselho Nacional do Ministério Público e incluir Ministros do STF e STJ entre os Conselheiros, o que hoje é vedado. Querem, também, um cargo a ser ocupado por designação da Câmara dos Deputados ou do Senado. Daqui a pouco a gente vai ouvi-los dizer. “Ta tudo dominado”. O PT, de Paulo Teixeira, tem a companhia do atual presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, o mesmo Lira que, após a suspeição de Moro, teve a desfaçatez de afirmar que o Supremo Tribunal Federal decidiu fazer uma revisão histórica sobre a Lava Jato.
Disse ainda que a Lava Jato havia descambado para um Estado Policial, com seletividade e perseguições, além de jamais merecer o perdão da história. Talvez nem precisasse, porque hoje o STF já abre inquéritos, de ofício e sem a participação do Ministério Público como titular da ação penal. Basta ver o tal inquérito das fake News, as prisões do jornalista Oswaldo Eustáquio e do Deputado Daniel Silveira. São ações que desprezam o Estado de Direito, agridem a verdadeira democracia e nos remete ao modelo autoritário da União Soviética e outras ditaduras. Lidamos com gente muito perigosa.
Vicente Lino.