16.03.2021 – TEMPOS ESTRANHOS.
O Ministro Marco Aurélio Mello, do STF, afirmou que atravessamos tempos estranhos. Ele se referia ao recurso de habeas corpus impetrado, pela defesa do deputado Daniel Silveira, que, naquele momento, havia sido negado pelo Ministro Alexandre de Moraes. São tempos estranhos, porque os deputados são invioláveis penal e civilmente no exercício de suas funções, por palavras, opiniões e votos. São tempos estranhos, porque a decisão que anulou as condenações de Lula, ignorou decisões do juiz em primeira instância, de três desembargadores, cinco ministros do Superior Tribunal de Justiça, além de seis ministros do próprio STF que nos últimos 4 anos disseram que o foro era competente.
Tempos ainda mais estranhos porque próprio ministro Fachin, em dez decisões, já havia afirmado que o foro era competente. Como se sabe, a segurança jurídica exigida pelas pessoas e empresas que planejam investir no Brasil, não combina com essa constante mudança de entendimento sobre as nossas leis. Há mais o que se estranhar nestes nossos tempos. No domingo passado, 13 de março, as ruas de várias cidades do Brasil foram tomadas por manifestantes, que protestavam contra medidas drásticas de lockdown, e de restrições às liberdades. O cansaço começa a tomar conta da população, que enfrenta o abuso de poder e a inversão de prioridades por parte dos governantes. Estranhamente a grande imprensa preferiu ignorar.
Durante todo o tempo não se via uma única rede de TV transmitindo as enormes e democráticas manifestações. Ainda bem que as redes sociais, hoje demonizadas justamente pela grande imprensa, transmitiram em tempo real e com isso afastou um pouco a estranheza destes nossos tempos. Parece que grande imprensa estranha o povo nas ruas.
Vicente Lino.