É assustador, mas em cima da hora para a escolha dos novos presidentes do Senado e da Câmara, o que não se consegue ouvir são propostas para o bem do povo. Nem passa pela cabeça daquela gente imaginar que só estão lá, por conta dos nossos votos e porque somos nós a sustentar aquela obesa estrutura que serve muito mais aos seus caprichos e interesses do que ao povo. Não há uma resposta assertiva e definitiva para algumas importantes e inadiáveis questões. Perguntados sobre a proposta para votação da prisão, após condenação em segunda instância, os candidatos evitaram se comprometer com o tema e muito menos lutar por sua aprovação.
Sobre as reformas administrativa e tributária e o fim do foro privilegiado, suas excelências foram evasivos e nada convincentes. É a repetição do que a gente sempre vê nessas ocasiões. Prometem a manutenção do auxílio emergencial e fingem se esquecer do débito, até agora contabilizado de 743 bilhões de reais, para este ano; falam em abertura de impeachment e fingem se esquecer de que falta o crime e, principalmente, falta o povo nas ruas; falam contra as armas de fogo e fingem se esquecer que, em 2005, um referendo sobre o tema recebeu a aprovação de 63% dos brasileiros, a favor, e por ai vai. Nessas horas, os bons propósitos e os princípios são levados a passear, pelos gramados da esplanada e dão lugar à esperteza vil, ao oportunismo barato e à intensa barganha por cargos no congresso e nas empresas estatais.
Nenhum candidato ousou falar em cortar gastos. Talvez não saibam, mas o Congresso custa ao brasileiro, pagador de impostos, extraordinários dez bilhões e oitocentos milhões de reais por ano; atrás apenas dos Estados Unidos. Diminuir as despesas deste monstrengo nunca foi prioridade por lá. Somos todos nós a pagar por mais essa conta.
Vicente Lino.