Demorou um pouco, mas enfim, um jornal brasileiro atacou a censura das plataformas digitais, ao Presidente americano Donald Trump. Escancarou o enorme poderio dessas empresas, além de advertir o mundo inteiro sobre o risco dessa gente passar a decidir, sobre o que é certo e o que é errado e quem pode e quem não pode falar.
Depois de afirmar que o jornalismo profissional caminha com livre difusão de ideias e não de bloqueios de manifestação, a Folha de S. Paulo em excelente editorial, defende que a livre circulação de ideias, boas ou ruins, precisa ser intransigente e não deve ocorrer segundo as conveniências de momento. Nunca é tarde para perceber o quanto é vital para a sociedade a liberdade de expressão, ainda que a manifestação seja contrária ás nossas convicções, aos nossos pontos de vista.
Aqui neste canto, criticamos quando da prisão arbitrária do jornalista Oswaldo Eustáquio e outras pessoas, que haviam se manifestado contra STF. Criticaram o Supremo e foram presas num obscuro processo e, agora soltos, permanecem monitorados pela justiça. O editorial da Folha, lembra, com razão, não ser o caso de se atentar sobre a veracidade da fala do Presidente e, sim, sobre a séria e absurda ação de calar a voz da pessoa mais importante do mundo. Vale lembrar que, há menos de dois anos, o facebook afirmava não ser papel da empresa interferir no que os políticos falam, mas agora interfere bloqueando Donald Trump.
Salta aos olhos, o fato de o gigantismo dessas empresas estar se transformando em poder político, usado para sufocar o debate público, com os enormes riscos que isto representa para as liberdades no mundo inteiro. Melhor seria se essas ações fossem repudiadas, com veemência, em todo o planeta.