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Coluna/Opinião

A CALAMIDADE PRORROGADA - Vicente Lino

Data: Segunda-feira, 28/12/2020 09:19

Não é raro, aliás, é bastante comum aqueles balanços que a gente costuma fazer ao final de cada ano. O espaço é curto pra tudo o que a gente viu, mas, alguns exemplos podem ser demonstrados. A gente lembra que em 6 de fevereiro deste ano, a Lei nº 13.979/20 autorizou os governos federal, estaduais e municipais a firmar contratos sem licitação para conter a expansão da pandemia e, depois liberou 22,6 para as medidas de combate ao coronavirus. Agora, temos o balanço, ou da farra, como queiram: respiradores comprados no Rio custaram 183 mil cada um, São Paulo recebeu respiradores da China por 60 mil cada um, Amazonas comprou por 107 mil, numa loja de vinhos, no Ceará os respiradores custaram 107 mil cada um, em Santa Catarina, 165 mil cada um e em Araraquara a coisa chegou a ser orçada em 168 mil. Soube-se depois que os preços, de mercado estão entre 58 e 75 mil cada respirador.

Tem mais; a enormidade gasta pelos estados e municípios, foi engordada pelo Ministério da Saúde, que na gestão de Luiz Mandetta, assinou 42 contratos, sem licitação, no valor de dois bilhões, setecentos e cinquenta milhões. E a coisa pode piorar. Um grupo de parlamentares e governadores quer a prorrogação do estado de calamidade pública, que terminaria este ano, para junho de 2021. No documento enviado ao governo, eles afirmam “a prorrogação é medida fundamental de ações de proteção àqueles que vivem em situação de vulnerabilidade social e que necessitam dos auxílios pertinentes a este momento ao qual vivemos”.

O texto não menciona os desvios de recursos, as diferenças nos preços e, muito menos, as acusações do MPF e o afastamento e até a prisão de governadores. Talvez tenha ficado pra outra ocasião.

Vicente Lino.

A CALAMIDADE PRORROGADA - Vicente Lino