Os prejuízos para nossas crianças e adolescentes são incalculáveis, por conta do fechamento das escolas públicas. O mestre em saúde pública, pela Fiocruz, Daniel Becker, afirma que o fato de estarem as escolas afeta, também, a saúde emocional da meninada. Ele fala: “Com a pandemia e o fechamento das escolas, o direito à educação ficou ainda mais restrito. E as crianças, dentro da sua realidade, estão sujeitas não só às consequências da perda de conhecimentos, capacidades e habilidades, mas também de outros elementos essenciais da escola, como a socialização com outras crianças e o contato com os professores, que para elas são figuras-guia” A reportagem do JORNAL, A GAZETA DO POVO, informa que Becker é pediatra e um dos coordenadores da campanha “Lugar de Criança é na Escola”.
Essa iniciativa procura mobilizar a sociedade e o poder público para aumentar o investimento nas escolas públicas e garantir estrutura mínima para o retorno seguro às aulas presenciais. No Brasil, quatro a cada cinco crianças e adolescentes estão matriculados em escolas públicas, que continuam fechadas. Mais do que passou da hora de nossas autoridades enfrentarem este desafio e prover recursos, para a reabertura das escolas de maneira segura. Um estudo da Unicef que prega a abertura das escolas alerta que, nove meses após o início da pandemia no Brasil, a situação de crianças e adolescentes se agravou, particularmente, entre as famílias mais pobres e fala de outros graves impactos causados pela ausência às aulas.
Prejuízo ainda maior para crianças que não tiveram acesso ao ensino remoto e nem à merenda escolar que, em alguns casos, é a mais importante do dia. Probabilidade de aumento da evasão escolar, impactos na saúde emocional e física. Não acredito que os 17 governadores que pediram a prorrogação do estado de calamidade pública tenham pensado nisso. Mais do que passou da hora.
Vicente Lino.