A toda hora um depoimento é adiado nesta intrincada e suspeita investigação sobre a roubalheira que levou o Banco Master à lona. O que se vê agora é uma verdadeira sequência de privilégios e favorecimentos sob a forma de sucessivos adiamentos de oitivas e depoimentos. A lista não é pequena: o controlador do banco BTG Pactual, André Esteves, teve o depoimento cancelado após alegação de "compromissos profissionais", ficando sem nova data definida.
O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, teve a oitiva cancelada a pedido da defesa. Jaques Wagner, senador pelo PT-BA e investigado na operação, teve o depoimento suspenso sob a alegação de falta de acesso integral aos autos. Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, teve o depoimento suspenso três vezes, alegando falta de acesso aos autos. E o próprio Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, já acumula sucessivos reagendamentos e adiamentos ao longo de meses.
Ninguém fala nada, ninguém denuncia ninguém, tem pouca gente presa e altas autoridades usam de benevolência e tolerância processual para postergar depoimentos explosivos. Enquanto a Polícia Federal reclama do estrangulamento de sua agenda e alerta que esse empurrar de barriga inviabiliza o cumprimento dos prazos e atrasa relatórios, o Judiciário aceita passivamente essa tática defensiva. A gente sempre soube de que lado está o Judiciário quando investigações sobre poderosos batem à sua porta. É impossível esquecer a existência de duas tramas paralelas quando examinamos as ações da Justiça nos episódios do 8 de Janeiro.
Vimos a tigrada acelerar a tramitação e atropelar garantias processuais para condenar e prender inocentes com o claro objetivo de respaldar a eleição de Lula e consolidar seu projeto de poder. Naquele momento, esse mesmo Judiciário afirmava que suas ações eram em defesa da democracia.
Um dia ainda saberemos em que tipo de democracia essa gente transita.
Vicente Lino.