Recentemente foi formalizado o “Escudo das Américas”, uma iniciativa liderada pelos Estados Unidos que estabelece uma coalizão focada na segurança dos países participantes. Será criado um bloco de cooperação militar, policial e financeira na América Latina e no Caribe, com objetivos de interesse geral: classificar facções criminosas (incluindo o PCC e o Comando Vermelho) como organizações terroristas internacionais, congelar bens e contas no exterior e responsabilizar quem prestar apoio a esses grupos.
O Brasil ficou de fora. A cooperação também prevê a realização de operações militares conjuntas e o patrulhamento de fronteiras, autorizando a presença de tropas americanas nos países aderentes para combater o narcotráfico, o tráfico de pessoas e a migração ilegal. O Brasil ficou de fora. Essa coalizão que reúne 19 países das Américas, compartilha do entendimento de que o enfrentamento ao crime organizado exige o emprego de metodologias das Forças Armadas e forte cooperação militar externa.
O Brasil ficou de fora. O governo brasileiro sustenta que o PCC e o CV não atuam por motivação ideológica ou política e, por essa razão, recusa-se a enquadrá-los na Lei Antiterrorismo. Esse isolamento deixa o país exposto a sanções e restrições financeiras aplicadas por vizinhos a entidades brasileiras vinculadas às rotas do tráfico. É gravíssimo que a maior nação da América do Sul — e o principal entreposto logístico para o escoamento de cocaína rumo à Europa — escolha virar as costas para essa integração.
A intransigência diplomática de Brasília fragmenta as ações regionais de inteligência e paralisa o combate ao crime em nossas fronteiras. Enquanto levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mapeiam ao menos 88 facções criminosas em plena atividade no território nacional, o crime organizado comemora o pouco caso do Estado. O Governo prefere se apegar a dogmas ideológicos a proteger a vida de milhões de cidadãos mantidos como reféns da violência diária.
Essa omissão calculada não é paga em discursos na ONU, mas no sangue dos brasileiros.
Vicente Lino.