Faz um tempão que a imprensa divulgou um contrato de 129 milhões de reais do escritório de Viviane Barci, casada com o ministro Alexandre de Moraes. A imprensa falou no assunto sem falar da gravidade dos fatos. Em um país com justiça e uma imprensa corajosa, o correto seria exigir o afastamento imediato do ministro, mandados de busca e apreensão no escritório de sua esposa e na residência do casal, além de uma investigação profunda e imparcial.
Ao contrário, a Procuradoria Geral da República arquivou rapidamente os pedidos de investigação. O Procurador Paulo Gonet enxergou ausência de indícios de crime ou irregularidade. 129 milhões de ausências. Nesta toada, o ministro age como se nada tivesse ocorrido e como se não precisasse prestar contas a ninguém. Recentemente, Moraes deu um prazo de 48 horas para que os Tribunais de Justiça expliquem o pagamento de "penduricalhos", ameaçando, inclusive, afastar os seus presidentes.
Prorrogou a prisão domiciliar e ordenou o recolhimento das armas de fogo de Jair Bolsonaro, além de determinar a oitiva de Flávio Bolsonaro no inquérito que apura calúnia contra o presidente Lula. Nem um pio sobre a dinheirama. É inexplicável como um povo que trabalha de sol a sol, paga impostos escorchantes e não tem segurança ou saúde de qualidade, seja obrigado a conviver com tamanha desfaçatez. O chamado “sistema” está aí para blindar os seus integrantes depois de enriquecê-los. O pior de tudo é que o sistema ainda manda prender os poucos que ousam criticar.
Ainda não sabemos se as próximas eleições serão capazes de mudar alguma coisa, ou se esse mecanismo, que já dura uma eternidade, continuará fechando as portas para um país mais sério e uma justiça que respeite nossos direitos.
Vicente Lino.