Um dia a gente ainda vai entender por que, apesar de tanta riqueza mineral e energética, o Brasil parece patinar sempre nas mesmas crises institucionais. É um nó que o Brasil teima em não desatar e que compromete o nosso futuro estratégico. Recentemente, a Serra Verde — única mina de terras raras do país, descoberta em Goiás — foi vendida para um grupo norte-americano. Trata-se de um mineral essencial para tudo o que é tecnológico.
O governo cogitava criar a "Terrabrás" para gerir as terras raras no Brasil, e aí começaria o dilema. O modelo do Estado Empresário acabou nos levando à roubalheira na Petrobras, dando mostras de que, quando o Estado é o dono, a empresa vira o caixa eletrônico de partidos e a corrupção drena a riqueza que deveria ser do povo. Do outro lado, temos a Privatização que, em tese, traz eficiência e investimento.
Ocorre que, para funcionar bem, a privatização exige algo que o Brasil parece incapaz de produzir: agências reguladoras sérias e independentes. Infelizmente, por aqui, o fiscalizador costuma ser "afilhado" do fiscalizado. As agências, que deveriam ser povoadas por técnicos de elite e currículos inquestionáveis, tornaram-se moedas de troca em negociatas indecorosas para atender a indicações políticas. Aí nada funciona, porque o fiscalizador acaba cooptado por quem deveria fiscalizar. Enquanto a indicação para uma agência reguladora for "prêmio de consolação" para político sem voto, qualquer privatização corre o risco de ser apenas a troca de um monopólio estatal ineficiente por um grupo privado que sabe corromper os bastidores de Brasília.
Ou o país conserta tudo isso, ou continuaremos travados por um sistema que coloca o interesse de partidos acima da nossa soberania.
Vicente Lino.