O Ministro da economia Paulo Guedes, iniciou o governo falando da necessidade de privatizações e da importância do dinheiro dessas privatizações para redução do déficit público. E olha que a pandemia ainda não tinha dado as caras. Passados dois anos, o governo que começou 2019 com 46 estatais termina 2020 com as mesmas 46 estatais. Não conseguiu vender nenhuma. Tentar explicar as causas dessa inércia é tarefa gigantesca e não cabe neste espaço se é que cabe em algum lugar. Há nessas empresas, uma multidão de funcionários, via de regra bem remunerados, e que vão trabalhar sempre contra o processo, claro. Há os partidos políticos que usam as estatais como moeda de troca para apoio aos projetos do governo, dependendo da indicação de seus apadrinhados para os cobiçados cargos.
O passado recente mostrou monstruosos desvios dos fundos de pensão de diversas estatais, surrupiados para conhecidos bolsos, agora fichados nos arquivos da Policia Federal. Os exemplos mais eloquentes foram os Correios e CEF, dentre outros. Cá entre nós, fica claro que nada vai mudar porque, a venda das estatais mais importantes depende de aprovação do Congresso. E o Congresso não vai querer privatizar o que a moçada utiliza, com interesses cada vez menos republicanos, não é? Pra não variar, quando a coisa foi parar no STF, o ministro Lewandowski sentenciou que qualquer venda exigiria aprovação do Congresso, incluindo as empresas subsidiárias.
Felizmente, o plenário derrubou parte do processo e o governo pode vender, pelo menos as subsidiárias. A venda de todas elas geraria um recurso importante para diminuição de déficit público com reais benefícios, para toda a população. Os interesses que causam os entraves burocráticos e impedem o programa de desestatização, estão formatados para beneficiar aquela poderosa minoria de parasitas que habita o governo, desde a proclamação da república. Ou antes.
Vicente Lino.