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Coluna/Opinião

OS SOBRENOMES E O DESASTRE - Vicente Lino

Data: Segunda-feira, 30/11/2020 11:53

Ao final de mais uma eleição o que se descortina para todos nós é aquela situação em que, por mais que se tenha esperança em alguma renovação, as coisas continuam, sempre do mesmo jeito. Podemos, por enquanto, esquecer a tão sonhada renovação na política brasileira. No site do Congresso em Foco, a gente lê que, em 2017, 62% da Câmara e mais de 73% do Senado haviam sido eleitos por oligarquias familiares. É aquela moçada que está há décadas por lá e que se espalha em todos os níveis de governo, incluindo o poder judiciário. É desanimador e talvez seja por isto mesmo que, agora se a gente somar as abstenções com os que votaram em branco ou anularam o voto, o percentual é maior do que aqueles que se elegeram.

No Rio de Janeiro, a soma dos que não querem nada com a política, alcançou 39%. É claro demonstrativo do desinteresse do eleitores pelos nomes apresentados. Pelo Brasil afora, o quadro é pavoroso. A parentada não deixa o país andar. Este espaço é pequeno pra citar todo mundo, mas, a gente já ouviu falar nos Barbalho do Pará, os Neves de Minas Gerais, os Sarney do Maranhão, os Calheiros e Collor de Mello de Alagoas, os Cunha Lima da Paraíba, os Coelho e Vasconcelos de Pernambuco, os Requião do Paraná e por aí vai.

Não se pode ter esperança de que alguma mude. Para mudar dependemos de uma reforma política que desamarre os candidatos dos caciques partidários e, dentre outras coisas permita, a candidatura independente e o voto distrital. Não muda, também, porque os 2 bilhões do tal do Fundo Partidário sai do nosso bolso para os partidos e os seus donos, distribuem a grana considerando, claro, a penca de velhos sobrenomes sempre disponíveis. Assim, a gente nunca vai ter políticos realmente qualificados. Vamos continuar submetidos à mesmice, à corrupção e a mediocridade, que conhecemos desde sempre.

Vicente Lino.

OS SOBRENOMES  E O DESASTRE - Vicente Lino