A decisão de 5a feira passada de Donald Trump de classificar as duas maiores facções criminosas brasileiras como organizações terroristas estrangeiras repõe a América Latina como eixo principal da estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos e aparece, não como uma medida isolada, mas como um marco que tem como ponto de partida o reconhecimento do sucesso, tantas vezes festejado por Lula, do Foro de São Paulo na ocupação das Américas pela esquerda, e o papel decisivo que teve nisso o concurso do dinheiro do tráfico de drogas.
E isso fez cair a máscara do PT, que agora acusa Flavio Bolsonaro de “traição da pátria” por ter instado Trump a dar esse passo. Trair o PCC e o CV é “trair a pátria” no lexo do PT…
A partir de 6a feira próxima, 5 de junho, PCC e CV, que se expandiram vertiginosamente nas duas ultimas décadas de corpo mole no combate ao crime, passam a ser oficialmente incluídos nas listas das FTO’s (Organizações Terroristas Estrangeiras, na abreviatura em inglês), e também das SDGT (Terroristas Globais Especialmente Designados), o mesmo enquadramento aplicado a cartéis mexicanos, gangues centro-americanas e grupos armados internacionais.
Segundo especialistas brasileiros, o PCC conta hoje com pelo menos 40 mil membros e atua em. 27 países além do Brasil, estando presentes — ele e/ou o CV, concentrado no controle das rotas amazônicas da droga — em pelo menos 12 estados americanos.
Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com 1.398 empresas dos 32 segmentos industriais estimou perda de receita anual da ordem de R$ 39 bilhões, ou 0,6% das vendas de fábricas e atividades extrativas, para o crime organizado.
É um número claramente subestimado.
Nos últimos três meses, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) comunicou R$ 44,1 bilhões em movimentações suspeitas de facções criminosas só no Rio de Janeiro — é um recurso suficiente para pagar todo o Programa Bolsa Família nesse período.
Segundo o Departamento de Estado, as redes criminosas “se estendem muito além das fronteiras do Brasil” e afetam diretamente interesses de segurança nacional dos EUA, e “o governo Trump continuará a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação … e interromper o fluxo de receita que financia narcoterroristas violentos” por meio do Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), o mesmo órgão do Tesouro americano que sancionou Alexandre de Moraes e família.
Com isso, qualquer ativo direta ou indiretamente vinculado a organizações sob jurisdição americana podem ser bloqueados, e qualquer pessoa ou empresa, dentro ou fora do território dos EUA, que mantiver relações financeiras ou materiais com integrantes das facções poderá sofrer sanções, pagar multas milionárias, responder criminalmente e até ser deportada do território norte-americano. Vai ser necessária, portanto, ampla revisão nos manuais de compliance de empresas brasileiras, especialmente as financeiras.
O anúncio ocorreu um dia depois de Flávio Bolsonaro afirmar que pediu pessoalmente ao Donald Trump a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, o que provocou as reações adversas esperadas de Lula, só que com algum disfarce diante do maciço apoio à medida nas pesquisas eleitorais. O assessor especial de Trump, Jason Miller, ironizou, a propósito, os queixumes de Lula sobre a atitude de Flavio Bolsonaro, que qualificou como “traição” ao Brasil.
Fernão Lara Mesquita