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Coluna/Opinião

DILMA DEZ ANOS DEPOIS.-Rogerio Werneck, para “O Estado de S. Paulo”

Data: Segunda-feira, 27/04/2026 11:12

O PT nada esquece. Mas também nada aprende.

Dez anos depois do impeachment de Dilma Rousseff, o Brasil continua pagando a conta de uma tragédia econômica que o PT nunca teve coragem moral de reconhecer. O governo Dilma não foi um acidente meteorológico. Não foi uma tempestade imprevisível. Foi uma sequência de escolhas erradas, sustentadas por arrogância ideológica, negacionismo fiscal e desprezo pela realidade.

E aqui está o ponto central: quem vive na mentira não corrige rota. Quem nega o erro, repete o erro. Em 2016, o PIB brasileiro caiu 3,3%, com retração na agropecuária, na indústria e nos serviços, segundo o IBGE. Não foi uma “narrativa da oposição”. Foi destruição real de riqueza, emprego, renda, confiança e futuro. 

O problema seria menor se essa incapacidade de aprender ficasse restrita à vida privada de alguém. Cada pessoa tem o direito de errar com o próprio dinheiro, com a própria casa, com a própria família. O drama começa quando a mesma mentalidade é aplicada a um país de mais de 200 milhões de habitantes — e ainda é aplaudida por parte da elite que se considera sofisticada, iluminada e “inteligente”.

O resultado é o que estamos vendo: Dilma 4.0, agora com outro crachá.

A mesma fé no gasto público como solução mágica.

A mesma aversão à responsabilidade fiscal.

A mesma crença infantil de que vontade política revoga matemática.

A mesma tentativa de tratar limite orçamentário como detalhe burguês.

A diferença é que, desta vez, o país tem um Banco Central autônomo, com objetivo legal de assegurar a estabilidade de preços — uma trava institucional que reduz o espaço para aventuras ainda maiores. A autonomia foi formalizada pela Lei Complementar 179/2021, justamente para proteger a moeda da conveniência política de curto prazo. 

Mesmo assim, o fiscal voltou ao centro da preocupação. O próprio Tesouro Nacional registrou déficit primário de R$ 30,046 bilhões em fevereiro de 2026. A aritmética não milita. A conta sempre chega.

Margaret Thatcher resumiu bem a doença: governos socialistas acabam quando acaba o dinheiro dos outros.

O Brasil precisa parar de tratar irresponsabilidade fiscal como sensibilidade social. Não há justiça social possível em país quebrado. Não há desenvolvimento sem confiança. Não há crescimento sustentável quando o Estado insiste em gastar como se a riqueza brotasse de decreto.

O PT não superou Dilma. Apenas empurrou Dilma para baixo do tapete.

E agora o tapete está se mexendo de novo.

Rogerio Werneck, para "O Estado de S. Paulo".

DILMA DEZ ANOS DEPOIS.-Rogerio Werneck, para “O Estado de S. Paulo”