Pesquisa recente mostra que 54% dos eleitores brasileiros não enxergam uma tentativa de golpe nos eventos de 2022. A maioria entende que o Supremo Tribunal Federal encarcerou donas de casa, aposentados e trabalhadores comuns que foram jogados em celas por meio de julgamentos padronizados, sentenças em série e uma absoluta falta de individualização de condutas.
Agora, os Juízes passaram a ser ser vistos como perseguidores, e não como garantidores da lei. São responsáveis pelo custo humano do exilio que estraçalha vidas, com brasileiros vivendo como refugiados políticos, longe de suas famílias, fugindo de um sistema que abandonou o devido processo legal, inclusive com a morte na cadeia do brasileiro Cleriston Pereira.
Seguimos assistindo ao suplício de Jair Bolsonaro, à ignomínia imposta a Felipe Martins e à ilegalidade escancarada no tratamento dado a Daniel Silveira. É um Judiciário que não pune crimes, mas sim posições políticas, ignorando garantias fundamentais em nome de uma suposta salvação da democracia. Causou arrepio, quando Gilmar Mendes sugeriu que a eleição de Lula se deveu ao tribunal.
Foi uma confissão de simbiose perigosa entre os poderes. Piora porque, mesmo diante de escândalos éticos que envolvem quantias milionárias, os ministros não recuam. Continuam expedindo ordens com prepotência e arrogância se esquecendo que o respeito à toga deve ser conquistado através da imparcialidade e da retidão. Reconhecer os erros e reparar as injustiças seria o primeiro passo para retomar a confiança. Hoje, um poder se sente acima do bem e do mal e massacra a sociedade com decisões autoritárias.
É preciso forte reação; a democracia não sobrevive sem um Judiciário que respeite a própria Constituição que diz defender.
Vicente Lino.