Na semana passada, o governo Lula, em sintonia com o ministro Alexandre de Moraes proibiu a visita Darem Beattie, assessor do governo Donald Trump, ao Brasil. O que assistimos não foi diplomacia; foi um espetáculo de amadorismo que envergonha quem entende o peso do Brasil no cenário global. A notícia do cancelamento expôs a transformação da política externa em um balcão de negócios de quinta categoria e rebaixou a soberania brasileira a uma birra administrativa.
Lula e seu Itamaraty precisam ser lembrados que as relações internacionais são regidas por protocolos, reciprocidade e, acima de tudo, Estado, não governo. Condicionar a agenda de uma autoridade estrangeira à liberação de um visto burocrático é ignorar como as engrenagens de Washington e Brasília devem girar. Com amadorismo constrangedor, Lula agiu como um porteiro de prédio que decide quem entra baseado em favores pessoais. Foi também constrangedor a cobertura da CNN.
Em vez de confrontar o erro técnico e a quebra de etiqueta, o que vimos foi uma narrativa flertando com o apoio ao governo e demonstrando uma falta de profundidade sobre as verdadeiras relações diplomáticas que deveriam pautar os dois governos.Quando a mídia abre mão da isenção para validar táticas de improviso, quem perde é o cidadão, que fica desinformado sobre a gravidade desses atos. O Brasil não precisa de muros erguidos por egos inflados. Tratar a política externa como uma extensão do palanque partidário é um retrocesso que nos isola e nos apequena.
É preciso maturidade. É preciso entender que o cargo exige uma liturgia que não aceita o 'jeitinho'. Pena que, entre o amadorismo do Planalto e a condescendência de certas redações, quem paga a conta da relevância internacional é o povo brasileiro.
Vicente Lino.