Em reportagem para a Gazeta do Povo, a jornalista Cristina Graeml denunciou as injustiças contra crianças que passaram o Natal e o Ano Novo longe de suas mães, presas pelos atos do fatídico 8 de janeiro. O cenário revela uma inversão de valores que fere não apenas o ordenamento jurídico, mas a própria lógica da justiça humanitária. O governo prefere a manutenção do cárcere para mães de crianças menores, enquanto oferece um indulto generoso à criminalidade comum.
Lula é cruel e desrespeita a legislação brasileira; a lei estabelece que a prisão domiciliar para mães de crianças menores de 12 anos é uma salvaguarda do superior interesse da criança. Para sustentar a narrativa de um golpe, o Estado pune duplamente: a mãe, pela sua convicção política, e o filho, que é condenado ao abandono pela ausência materna. Além de desumano, o ato exibe o descumprimento flagrante de um direito consolidado no Código de Processo Penal.
O Brasil sabe que, de um lado, assina-se o decreto que abre as portas para condenados por corrupção, peculato e lavagem de dinheiro — crimes que corroem a saúde, a educação e a segurança de milhões de brasileiros. O mesmo decreto fecha-se, hermeticamente, para mães acusadas de atos políticos. O "colarinho branco" celebra o perdão natalino, enquanto o rigor implacável recai sobre mulheres que, em muitos casos, sequer possuem antecedentes criminais. Não há humanidade quando o indulto prioriza quem saqueou cofres públicos em detrimento de mães que clamam pelo direito básico de cuidar de seus filhos. A tese do golpe é a máscara conveniente para uma vingança política.
Vicente Lino.