Luís Ernesto Lacombe já completou 37 anos no jornalismo, recebeu vários prêmios e publicou livros que se tornaram best-sellers. Recentemente, Lacombe produziu um incisivo texto com duras críticas justamente à imprensa, que ele bem conhece.
Com muita razão, ele critica o fato de a imprensa ter transformado Alexandre de Moraes na “muralha em defesa da democracia”, num super-herói. Segundo ele: “De repente a imprensa resolveu, ela própria, se transformar, mas não se endireitar... Nos últimos sete anos, esses ‘jornalistas’ endossaram todas as ilegalidades, todos os arbítrios e abusos praticados pelo ministro. Fingiram que a democracia podia ser salva por medidas tirânicas. Permitiram, criminosamente, que ministros do STF, especialmente Moraes, ignorassem, interpretassem de maneira muito própria ou mesmo inventassem leis. Estava tudo bem. Jair Bolsonaro era o ‘ditador’, o ‘fascista’, o ‘nazista’, o ‘genocida’ que precisava ser parado. Contra ele valia tudo”.
Quem acompanha de perto o noticiário percebia que a perseguição a Bolsonaro, seus aliados e apoiadores foi implacável; a imprensa abandonou as perguntas, o debate, os fatos e a busca da verdade. É correto concordar com o brilhante jornalista quando ele afirma que foram os "jornalistas cafajestes" que formaram uma estrutura de suporte fundamental para que o Brasil e os brasileiros fossem feitos reféns dos interesses mais repugnantes e abjetos.
Luís Lacombe deveria ser acompanhado por outros companheiros de profissão, na medida em que defende o justo, o correto e o verdadeiro. Ao denunciar o desprezo do STF com a Constituição, ele lembra que, se o STF a rasgou, a imprensa aplaudiu e achou que devia também destruí-la, picotá-la, em vez de cumprir seu papel — que é contar as histórias mais relevantes com base no que deve conduzir qualquer profissional: a honestidade.
Parabéns ao Lacombe. Mais do que nunca, o Brasil precisa de uma imprensa séria, honesta e, principalmente, corajosa.
Vicente Lino.