Sob Lula, a autonomia do Banco Central está em risco permanente. Durante o mandato de Roberto Campos Neto à frente da instituição, o presidente Lula fustigou sua gestão, afirmando que os juros altos eram culpa exclusiva do Banco. Felizmente, Campos Neto resistiu e manteve uma condução responsável, o que serviu de contraponto à gastança desenfreada do governo.
Agora, o risco de a gestão do BC desandar de vez é alarmante: pela primeira vez, Lula terá indicado toda a diretoria da autoridade monetária. Estão de saída dois pilares da credibilidade técnica: Diogo Guillen, diretor de Política Econômica, e Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução.
Por isso mesmo, o cenário para 2026 desenha-se sob forte neblina.É preciso repetir: toda a diretoria do Banco Central, a partir de 2026, terá o selo lulista. Para o investidor e o empresário, que dependem de previsibilidade para alocar capital, a mensagem é de cautela — a percepção é de que a "caixa-preta" do BC está se fechando. O mercado financeiro sabe que não se trata apenas de uma troca de cadeiras. Guillen e Gomes são descritos por analistas, como os do BTG Pactual Asset Management, como excelentes economistas que tiveram papel fundamental na consolidação das regras de política monetária e regulação nos últimos quatro anos.
Lula ainda não nomeou os substitutos, ignorando que a demora gera desconfiança. O mercado funciona à base de credibilidade, e uma transição sem nomes definidos retira uma camada essencial de segurança. Afinal, a economia move-se à base de expectativas. Se investidores brasileiros e estrangeiros suspeitarem que o Banco Central se tornou um "puxadinho" do Planalto, a confiança vai embora.
A autonomia do Banco Central é o que separa o Brasil de países que destruíram suas moedas por conveniência política. Respeitar essa fronteira é uma questão de sobrevivência econômica.
Vicente Lino.