Maduro foi capturado. O governo Lula, as oposições e parte da imprensa correram para falar em soberania da Venezuela. Falam em soberania em um Estado onde o povo foi destituído de sua dignidade básica e de sua liberdade. A soberania de um povo está intrinsecamente atrelada à democracia e ao seu bem-estar social, mas o que se viu foi o colapso desses pilares. Entre 2016 e 2018, o país viveu uma escassez sem precedentes com insuficiência de calorias e 64% da população perdeu, em média, 11 kg.
80% dos lares enfrentam insegurança alimentar, sobrevivendo apenas com mandioca e arroz, a soberania já foi violada pela má gestão e pela opressão interna. A soberania é novamente violada, quando a repressão obriga 7,7 milhões de pessoas a fugirem do país, superando crises de zonas de guerra como Síria e Ucrânia. Também não há soberania, quando para a manutenção do poder, o regime de Maduro suprimiu liberdades e o Estado se transformou em um aparato de repressão contra sua própria gente. Foram mais 1.000 presos políticos e dezenas de mortes confirmadas em protestos
. Que soberania pode haver para um povo cujo ditador opera um cartel que movimenta mais de US$ 8 bilhões anuais no narcotráfico. Quando o próprio Estado sugere que suas instituições foram sequestradas por interesses criminosos, esse Estado não é soberano e, sim uma governança baseada na ilegalidade. A captura de Maduro pode significar a libertação e a soberania da Venezuela. Se a soberania reside no povo e este povo vive sob tirania, fome e medo, a queda de um ditador não ataca a soberania nacional.
A verdadeira soberania só existe onde há democracia, e para o povo venezuelano, o fim do regime pode representar o retorno ao seu destino agora sim, soberano.
Vicente Lino